Iluminação para hospitais e clínicas

Posted by John Doe 09/07/2018 0 Comentários

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Satisfazer a diversidade de critérios técnicos e as compatibilidades físico-funcionais é requisito básico a qualquer projeto de iluminação hospitalar. As soluções devem atender às demandas das atividades ali desempenhadas sem se esquecer de levar em conta o conforto humano.

 

Tais recomendações relacionadas à harmonia arquitetônica em ambientes hospitalares decorrem das grandes inovações tecnológicas e biomédicas, que passaram a exigir que fossem projetados especificamente para esse fim, atendendo às características das diversas especialidades médicas e exercendo a atenção fundamental do cuidado com o bem-estar dos pacientes.

 

Para realizar um projeto de iluminação hospitalar é extremamente necessário seguir alguns passos como desenhar do espaço, os elementos funcionais e estéticos, definir a correta utilização de luz natural e artificial, e escolher as melhores cores. Tudo isso para que os aspectos do conforto ambiental sejam atendidos e possam, de fato, agregar qualidade de vida aos pacientes.

 

"A elaboração de um projeto de iluminação para ambientes hospitalares é um processo complexo. Hospitais, clínicas médicas e consultórios devem proporcionar bem-estar e tranquilidade aos pacientes. A saúde exige ambientes arejados, limpos e com luz natural ou adequadamente iluminados, assim como locais que sejam agradáveis e confortáveis. Esses são os itens que permitem bom desempenho dos profissionais, funcionários e pacientes”, pontua Ronald de Goes, Doutor em Arquitetura e Urbanismo (UFRN), professor do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB).

 

 

LUZ: PONTO PRINCIPAL

O ser humano se desenvolve somente a partir do contato permanente com a iluminação natural. Sendo assim, um projeto de iluminação hospitalar deve se atentar, primordialmente, para o controle do uso da luz e sua intensidade, a fim de oferecer todo o conforto visual de que o paciente necessita para o sucesso do tratamento.

 

Um estudo realizado em seis hospitais de Chicago, nos Estados Unidos, pelos profissionais de Medicina Física e Reabilitação da Universidade de Michigan, e publicado no The Journal of Architectural and Planning Research, apresentou uma importante relação entre o bem-estar dos pacientes, a iluminação artificial e a contribuição proveniente do contato com a visão da paisagem externa. Os pacientes apresentaram insatisfação quando não tinham pleno controle sobre a iluminação, a abertura das cortinas, das persianas e das próprias janelas.

 

“Uma boa iluminação valoriza e revela o ritmo do espaço: sombras, formas, texturas, proporções e determina as sensações de bem-estar, conforto e motivação. A iluminação provoca reações emocionais positivas ou negativas. Ambiente com luz fria, isto é, branca azulada, provoca irritação, inquietação, incutindo, muitas vezes, o desejo de sair do ambiente. A luz amarela, por outro lado, provoca a sensação de aconchego, relaxamento e o desejo de permanecer no local”, esclarece o professor Ronald de Goes.

 

 

O PROJETO EM SI

Compreender que as edificações para saúde, hoje em dia, requerem soluções flexíveis é o primeiro passo para um projeto bem-sucedido. Analisar todos os pontos e prever possíveis demandas futuras faz parte do trabalho do arquiteto, que deve participar desde o início das obras e se envolver em todas as fases do processo, tendo claro para si mesmo o uso que se fará daquele espaço: hospital geral ou especializado, horizontal ou vertical, público ou privado, e com ou sem fins lucrativos. 

 

É de suma importância saber se o hospital se classifica como pequeno (até 50 leitos), médio (de 50 a 150), grande (de 150 a 400) e especial (acima de 400). A complexidade do projeto é, portanto, diretamente proporcional ao seu tamanho. O passo seguinte é analisar o entorno, a acústica, a insolação e a facilidade de acesso, além da topografia e da geologia. Observar o lado para o qual o prédio está voltado, por exemplo, permite optar por revestimentos de vidros verdes, que possuem pequeno índice de reflexão, e assim ganhar luminosidade natural caso esteja na face sul. Nesse mesmo caso, pode-se, também, fazer escadas abertas e elevadores panorâmicos nas áreas de circulação, permitindo total controle dos acontecimentos ao seu redor. Além disso, vale usar compostos de alumínio, que criam efeito visual agradável e minimizam o impacto com o ambiente urbano.

 

 

Parâmetros técnicos

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“Os parâmetros técnicos utilizados no Brasil para elaboração de projetos de iluminação em ambientes hospitalares se referem à Norma 5413, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)”, explica Ronald de Goes, Doutor em Arquitetura e Urbanismo (UFRN), professor do IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil). Confira as principais orientações para um projeto funcional:

 

• Uma vez que a visão do paciente é o teto, a iluminação deve ser indireta;

• As cores das luzes devem levar em conta a patologia do paciente, uma vez que as tonalidades podem relaxar ou agitar as pessoas;

• Como as salas cirúrgicas são sempre muito iluminadas, os ambientes ao seu redor devem ter 50% de luminância e redução gradativa, para a adaptação do olho;

• Em locais de deslocamento de pacientes, a luz deve ser baixa e próxima ao nível do piso;

• Nas cabeceiras dos leitos devem ser colocadas luminárias com diferentes luminâncias, auxiliando o paciente e a enfermagem;

• A temperatura de cor mais usada em hospitais está entre 4000 K e 4500 K. Mais do que isso pode provocar frio e desconforto; abaixo, dá sensação de calor;

• O uso de fluorescentes tubulares com pó trifósforo e compactas é ideal para a iluminação geral.

 

Deve-se projetar corretamente para que o nível de iluminação não fique abaixo do exigido, provocando fadiga e cansaço visual, ou, caso contrário, ofuscamento. A iluminação deve permitir que pessoas e objetos sejam vistos da forma mais natural possível. Outro ponto é definir a temperatura da cor (em graus Kelvin). Para clima aconchegante, 3.000 K; clima frio e estimulante, 4.000 K. Para evitar interferência na aparência neutra das cores, a temperatura deve ficar em torno de 3.500 Kd.

 

A humanização também é fator de relevância. Considerando que os hospitais são ambientes de doença, quanto mais humanizado for o projeto, menor é a tristeza daqueles que estão no local. Para isso, entra novamente a questão da criação de espaços saudáveis que tragam sensação de bem-estar e proporcionem boa relação entre o ser humano e o meio. As lâmpadas mais utilizadas atualmente, quando se deseja provocar a sensação de conforto e relaxamento, são as dicroicas e as halógenas, ou as fluorescentes compactas e tubulares, cuja aparência de cor é mais quente.

 

 

LUMINOTÉCNICA EM CENTROS CIRÚRGICOS

Em um projeto luminotécnico para centros cirúrgicos, a indicação é usar luminárias que sejam herméticas, para evitar acúmulo de poeira e bactérias que possam causar contaminação. Além disso, o ideal é utilizar lâmpadas de alta eficiência e vida útil longa, minimizando os custos de manutenção e energia elétrica. Outra indicação é que as luminárias auxiliares possuam acabamento em acrílico ou vidro, para facilitar a  limpeza. O mais usual são as lâmpadas fluorescentes tubulares, como as T5 de 28W ou 14W com alto índice de reprodução de cor, como as das séries 90 encontradas no mercado com Índice de Reprodução de Cores (IRC) acima de 90, que reproduzem com muita fidelidade as cores dos ambientes e das pessoas.

 

Já as luzes naturais devem também estar presentes, pois possuem a capacidade de melhorar as condições emocionais da equipe médica. Porém, nesse caso, não se pode deixar de controlar a emissão de calor gerado por ela, bem como a incidência de altos índices de luminosidade que provocariam ofuscamento e desconforto aos usuários.

 

 

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Crédito: Site AECweb

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